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06 julho 2017

PCC persegue e mata agente penitenciário federal

Membros da facção teria alugado casa para se tornar vizinhos do agente para estudar sua rotina e matá-lo.

A trama do PCC (Primeiro Comando da Capital) que resultou no assassinato do agente penitenciário federal Alex Belarmino Almeida Silva começou em uma cela de um presídio de segurança máxima, foi arquitetada em uma outra penitenciária e envolveu carros roubados, armas de uso restrito das Forças Armadas e até o aluguel da casa vizinha à da vítima.

Por volta do dia 17 de junho do ano passado, o detento do presídio de segurança máxima de Catanduvas (PR) Roberto Soriano ordenou o assassinato de agentes penitenciários federais. Conhecido como “Tiriça”, ele faz parte da “sintonia final”, a cúpula do PCC. “Sintonias” são como se chamam os diversos comandos do PCC

O objetivo era “intimidar e desestabilizar” servidores do sistema penitenciário federal, considerado “opressor” pela maior facção criminosa do país, segundo a PF (Polícia Federal).

A ordem de Tiriça percorreu 511 quilômetros até chegar ao cubículo 01, 2ª Galeria, Bloco A da Penitenciária Estadual de Piraquara (PR). Lá estava preso o acusado de homicídios e outros crimes Rodrigo Aparecido Lourenço, o “Gordão de Arapongas”, membro da “sintonia geral do Paraná”. Ele repassou a determinação ao seu colega de cela, Claudemir Guarabiraba, o “André Júnior”, de acordo com documentos da Justiça Federal. Começou nesse local o planejamento para matar servidores federais.

A defesa de Tiriça nega que ele tenha participado do crime (leia mais abaixo).

CRIMINOSOS ALUGARAM CASA VIZINHA

Pouco tempo antes do homicídio, o acusado Rafael Willian Kukowitsch, o “Kuki”, alugou uma casa ao lado da ocupada por Alex Belarmino, na cidade de Cascavel (PR).

Lotado no Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão do Ministério da Justiça com sede em Brasília, Alex Belarmino trabalhava temporariamente no presídio de Catanduvas — a 55 km de Cascavel –, onde ministrava cursos de tiro a seus colegas.

Os elementos colhidos até esse momento demonstram a existência de fortes indícios de participação no delito apurado de pelo menos cinco pessoas e diversos veículos que teriam se organizado de forma profissional, inclusive com o aluguel de um imóvel ao lado do imóvel da vítima com o objetivo de cometer o crime de homicídio contra o agente penitenciário federal Alex Belarmino”.

A afirmação é da PF e consta em decisões judiciais de desembargadores do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) a respeito de pedidos de habeas corpus de acusados de participação no homicídio. Nenhum deles foi solto.

Fonte: UOL